Tráfico

“Tráfico”, de Carlos Santiago, serve-se do humor negro para uma leitura satírica da atualidade, tomando por referência irónica a “Medeia”, de Eurípedes.
ma mulher obscura, Medeia, dirige um Hotel singular. No Hotel Balneário Olimpo oferecem-se curas de stress a traficantes necessitados de descanso e repouso. Na realidade, o negócio esconde um propósito mais maquiavélico do que a satisfação das necessidades terapêuticas do crime organizado: a vingança, traçada com paixão pela protagonista, contra aqueles que a traíram.Num mundo corrompido pelo poder e pelo dinheiro, traficantes de toda a espécie pululam entre nós. De todo o tipo, de todas as coisas, de muita gente. Com o pano de fundo da crise e da deriva do capitalismo, “Tráfico” serve-se do humor negro para uma leitura satírica da atualidade mundial (a que Portugal não é alheio). Uma comédia trágica, crua e obscena, onde o sangue flui sem contenção.


Porquê este espetáculo?

O palco é para nós um local de reflexão, de provocação, de análise crítica sobre quem somos e qual é o nosso papel na construção de uma sociedade mais justa e equilibrada. Falar do mundo, não do mundo que nos rodeia, mas sim, do mundo que nos controla, domina e oprime, foi o mote para a criação deste espetáculo. Falar da atualidade neste início de século, onde tudo se trafica, se vende, se compra, sem qualquer pudor ou preocupação humanista, longe dos olhares das pessoas.Vamos traficar a nossa arte à vista de todos, numa coprodução da BaaL 17 e do AL Teatro, realizada ao abrigo do Acordo Tripartido entre as duas companhias e a Direção-Geral das Artes / Ministério da Cultura e os Municípios de Serpa e Silves. “Tráfico” só foi possível pondo em prática outra das nossas convicções, a cooperação, forma de potenciar o desenvolvimento, não só das duas estruturas, mas do mundo em que vivemos.

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